Muito tempo depois...
Deverei dizer "más memórias"?
Talvez não!
Hoje voltei aqui e verifiquei que já não sei quem és.
Já não me importas.
Não sinto curiosidade em saber onde estás, o que fazes, quem és...
Tive a certeza disso quando, há semanas, encontrei por acaso uma foto tua no meu computador.
Olhei atentamente para a foto e pensei "quem és?"
A foto não me disse nada.
Apenas senti que era para apagar.
Não guardo fotos de desconhecidos no meu computador nem em lado nenhum.
Passei por uma terrível fase da minha vida, mas talvez fosse mesmo isso que eu necessitava - uma pancada literal - para acordar e ver bem como eras.
Como posso eu, algum dia, ter pensado que poderia ser feliz contigo quando sempre e apenas te preocupaste só contigo?
Eu era apenas a parte que poderias exibir para apagares e te redimires dos erros do passado.
Sinceramente espero nunca mais ter notícias tuas.
Não é por mais nada.
É simplesmente porque não me importa.
Há quase um ano que não me lembrava de ti e há quase dois anos que tudo acabou.
Curioso como parece há muito mais tempo!
Só tive de voltar a relembrar-me de quem eras quando, de certa forma, tentaste forçar a tua imagem na minha memória.
Lamento.
Não resultou.
Sei que falei em amor, mas foste embora quando eu finalmente começava a amar-te.
Lamento agora dizer que se calhar me precipitei.
Não era amor.
Não poderia ser amor.
Não se pode amar verdadeiramente alguém que nem nosso amigo é ou foi algum dia.
E agora digo com certeza, a única pessoa que sei que amei,
Um amor plenamente platónico,
(e foi por isso que foi lindo, por nunca ter acontecido sequer um beijo!),
Foi o Pedro.
Foram quase sete anos a amá-lo e quase três para esquecê-lo.
E depois o amor tornou-se em algo maternal.
Apenas isso.
Mas tu nunca acreditaste em mim.
Sempre tiveste ciúmes de uma pessoa que nunca me teve.
Sempre achaste que o Pedro estava no meio de nós,
Quando o Pedro, no fundo, seria sempre uma parte marginal,
Um amigo.
Somente isso, um amigo.
Lamento se achei que te amava.
Gostava muito de ti, estava a começar a amar-te,
Mas quando começaste a trair a minha confiança,
O amor que começava a sentir retraiu-se.
Começou a desaparecer.
Sei que se não tivesses terminado tu, teria sido eu.
Talvez um mês, dois depois, mas eu não conseguiria continuar.
Amor?
Amamos primeiro a pessoa como amigo.
Foi isso que sempre me faltou e agora reconheço-o.
Confiamos na pessoa!
Amor?
Sentimos pela pessoa que nos tem amizade,
Que nos faz rir quando não temos vontade,
Que nos faz sorrir com a sua simples presença,
Que nos surpreende com uma simples mensagem logo pela manhã,
Ou à noite antes de adormecermos.
Amar?
Amamos quem tem coragem de nos ligar seja a que horas for,
Quem tem dignidade de nos atender a meio da noite,
Quem tem paciência para nos fazer companhia numa caminhada pelo meio de nenhures mesmo quando nós não conseguimos dizer palavra.
Amar?
Amamos quem tem a sensibilidade de perceber que precisamos de um abraço e nos abraça mesmo sem pedirmos e mesmo sem saber se iremos reagir bem ou mal.
Amar?
Amamos quem se preocupa connosco, quem liga só para saber como estamos.
Nunca poderia ter sentido amor por ti!
Precisei de ti tantas vezes, em especial quando a minha vida se começou a desmoronar, e foi nessa altura que partiste, que desligavas o telemóvel, que estavas "ocupado".
Nunca poderia ter conseguido amar alguém como tu.
Amo as pessoas alegres, honestas, simpáticas, sinceras, bem humoradas, fiéis aos seus princípios.
Tu sempre foste calculista e nem sabias bem quais eram os teus princípios, além de quereres sempre uma forma rápida de subir na vida.
Dói muito ver que consegui ser tão cega assim.
Por ter gostado de ti, mesmo sendo tu como eras,
Mesmo quando, durante um ano, me tentaste boicotar os estudos:
sabias que eu tinha de me levantar às 4 da manhã e tentavas estar comigo ao telefone até às 2 só para teres a certeza que no dia seguinte não conseguiria apanhar o autocarro para ir estudar.
Mas consegui. Consegui sempre!
Consegui andar mais de um ano a dormir menos de 4 horas por noite,
Consegui ser bem sucedida contigo,
no meu trabalho,
nos estudos,
em casa,
com os amigos...
Tive tempo para tudo.
Mas era demais para ti ver que eu conseguia dar conta de tudo aquilo que amava.
Era demasiado para os teus ciúmes doentios ter pessoas que realmente gostavam de mim como eu sou, com todos os meus defeitos, enquanto tu reclamavas por eu me fechar e sofrer em silêncio sempre que eras injusto para mim.
Eu não sou do tipo que aponta o dedo às pessoas só por apontar.
Tento compreendê-las.
Sou totalmente diferente de ti.
Sei que as circunstâncias da vida te tornaram na pessoa amarga que és.
Mas não tinhas nem nunca tiveste o direito de o ser comigo, que sempre te tratei bem e sempre te ajudei em tudo, sacrificando-me a mim mesma até.
Desculpa se eu pensava que era amor, mas não era.
E a distância não ajudou, mas tinha de ser sempre eu a fazer para a encurtar pois, quando eras tu, ainda discutias comigo.
E eu aguentava.
Sempre.
Peço desculpa por não te ter amado mais que uma milésima de segundo, mas era impossível.
O amor deve começar com a amizade.
Foi isso em que sempre acreditei.
E foi isso que sempre menosprezei.
Mas agora já não.
E também nunca acreditei em relações à distância.
Não quando só um se esforça.
Para amar,
devemos primeiro conviver com a pessoa, dia-a-dia,
aprender a conhecê-la,
a ver as suas reacções,
a reconhecer quando está triste,
quando está feliz,
quando está preocupada,
quando precisa de mimos,
quando precisa de um amigo.
Tu nunca foste meu amigo.
Nunca te preocupaste comigo enquanto amiga,
Apenas te preocupava o que os outros iriam pensar da tua "namorada que estava longe de ti, estudava mais que tu e ganhava mais que tu".
Nunca foste nada parecido com um amigo.
Viste a forma como eu amara o Pedro.
Quiseste o mesmo para ti.
Começaste a tentar conquistar-me e eu resisti.
Sempre tive um palpite que não eras pessoa para mim.
Mas deixei-me levar e comecei a ver coisas boas em ti que me fizeram apaixonar.
Quiseste ser o Pedro.
Mas ninguém pode ser ele.
Não o amo.
Não quero nada com ele.
Mas ele sempre foi sincero comigo.
Nunca me mentiu.
Sempre me deu a mão para prosseguir, quando eu não tinha forças para andar.
Tu foste sempre o oposto.
E achaste sempre que o Pedro estava no meio.
Ele nunca esteve no meio.
Amei-o.
Foi bonito ter crescido com esse amor.
Só isso.
Foi belo porque nunca houve nada.
Foi bom porque aprendi a amar.
E um dia quando amar alguém a sério,
Alguém que esteja perto de mim,
Que seja meu amigo,
Que seja sincero,
Que me faça rir porque lhe apetece
Ou que me telefone apenas por que sim,
Nesse dia poderemos ambos agradecer ao Pedro que,
Sem saber,
Me ensinou a amar.
Quem sabe se esse dia não chegou já?
Tu?
Simplesmente não existes.
Nada significas.
Nunca poderás constituir ameaça para ninguém.
Nem o Pedro poderá ser ameaça.
Se não te disse adeus como devia ser, digo agora: ADEUS!
Só isso.
Nada mais.






